10 treinadores que não deviam ter voltado onde foram felizes

10 treinadores que não deviam ter voltado onde foram felizes

Desporto

10 treinadores que não deviam ter voltado onde foram felizes

Tiveram uma primeira passagem brilhante, mas depois deitaram tudo a perder quando regressaram.

Artigo de André Cruz Martins

25-08-2018

“Nunca voltes a um lugar onde foste feliz” é uma expressão popular que muitas vezes faz sentido. No futebol não é exceção e temos vários exemplos de treinadores que tiveram sucesso na primeira passagem por um clube, mas depois tudo lhes correu mal quando voltaram, anos depois.

Vem isto a propósito do regresso de Luiz Felipe Scolari ao comando técnico do Palmeiras. Esta é a terceira passagem do antigo selecionador nacional de Portugal por um emblema onde foi muito feliz, primeiro entre 1997 e 2000 e, depois, entre 2010 e 2012. O “sargentão” colecionou títulos no Palmeiras, a saber: uma Copa Mercosul (1998), uma Taça dos Libertadores (1999), três Copas do Brasil (1998 e 2012), uma Copa dos Campeões Regionais (2000) e um Torneio Rio-São Paulo (2000).

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O último clube de Scolari foi o Guangzhou Evergrande, da China, onde esteve entre 2015 e 2017 e com sucesso assinalável: ganhou três campeonatos, uma Liga dos Campeões da AFC, uma Taça e uma Supertaça chinesas. Nas últimas semanas, o seu nome chegou a ser apontado ao Sporting, mas optou pelo regresso a um clube onde foi muito feliz. A ver vamos se o técnico brasileiro conseguirá contrariar os dez exemplos que apresentamos de seguida.

10º Manuel José (Sporting)

Manuel José pode não ter ganho nada pelo Sporting na época de 1985/86, na sua primeira passagem pelos leões, mas lutou pelo título de campeão até ao fim. Na época seguinte, deixou uma marca de futebol de qualidade e nenhum adepto leonino se esqueceu dos 7-1 ao Benfica, mas paradoxalmente tudo se desmoronou nos jogos seguintes, até acabar despedido, ainda que conservasse a aura entre os adeptos.

O jovem treinador português ficou com as portas de Alvalade abertas e não se estranhou que tenha regressado a meio da época de 1988/89. No entanto, nada lhe correu bem e somou apenas 15 vitórias em 28 jogos oficiais, tendo sido despedido em dezembro por Sousa Cintra, depois de uma derrota caseira com o Marítimo para a Taça de Portugal, por 1-2.

9º Octávio Machado (FC Porto)

Octávio Machado foi jogador do FC Porto e depois treinador adjunto entre 1984 e 1992, oito épocas marcadas pela conquista da Taça dos Campeões Europeus, Taça Intercontinental, Supertaça Europeia e cinco campeonatos nacionais.

Depois de uma experiência no Sporting, primeiro como adjunto e depois como técnico principal, voltou ao FC Porto em 2001/02, rendendo Fernando Santos, treinador que conquistara o penta, mas que falhara nas duas épocas seguintes.

Este regresso não trouxe os resultados que certamente esperava e foi despedido a meio da época, com a equipa na quarta posição do campeonato. O seu substituto foi José Mourinho, que nas duas época seguintes foi bicampeão nacional e ainda ganhou a Taça UEFA e a Liga dos Campeões.

8º José Antonio Camacho (Benfica)

Na sua primeira passagem pelo banco do Benfica, entre novembro de 2002 e maio de 2004, ficou duas vezes em segundo lugar e ganhou uma Taça de Portugal, em final com o FC Porto. À primeira vista, nada de especial, mas o caso muda de figura quando se percebe que o grande rival era o FC Porto de José Mourinho (bicampeão nacional e vencedor da Liga Europa e Liga dos Campeões) e que os encarnados viviam o maior jejum da história em termos de conquista da I Liga, depois do título de 1993/94, com Toni.

Regressou ao Benfica logo na segunda jornada da época de 2007/08, rendendo Fernando Santos, mas desta vez sem sucesso, tendo ganho apenas 18 jogos em 38 oficiais e sendo despedido pelo amigo Luís Filipe Vieira em março de 2008, depois de um empate em casa com a União de Leiria, formação que estava em último lugar no campeonato.

7º Tomislav Ivic (FC Porto)

A primeira passagem de Tomislav Ivic pelo FC Porto foi fantástica. E a fasquia estava bem alta, pois entrou para o lugar de Artur Jorge, que em 1986/87 tinha conquistado a Taça dos Campeões Europeus, na célebre final com o Bayern Munique.

O croata (na altura jugoslavo) fez do FC Porto uma autêntica máquina de bem jogar e terminou o campeonato com 15 pontos de vantagem sobre o Benfica e isto numa altura em que as vitórias valiam apenas dois pontos. Ganhou ainda a Taça Intercontinental, a Supertaça Europeia, a Taça de Portugal e a Supertaça nacional.

Foi para o PSG depois dessa temporada de sucesso mas regressou ao FC Porto em 1993/94. Não parecia o mesmo treinador e o futebol paupérrimo apresentado pelos dragões refletia-se nos resultados. Foi rendido por Bobby Robson no final da primeira volta e inglês ainda foi a tempo de recuperar até ao segundo lugar no campeonato e à vitória na final da Taça de Portugal, diante do Sporting.

6º Bella Guttmann (Benfica)

Bella Guttmann foi o único treinador que conseguiu ser campeão europeu pelo Benfica e logo em dose dupla e em épocas consecutivas (1960/61 e 1961/62). Quando saiu do clube da Luz, possivelmente zangado pelo clube não lhe ter pago um bónus pela dupla conquista do mais importante troféu de clubes da Europa, proferiu a célebre frase “sem mim, nem em cem anos o Benfica vai conquistar outra taça europeia”. A verdade é que o jejum se mantém e já vai em 56 anos.

O treinador húngaro, já falecido, pode ter-se em conta como um homem providencial, mas a verdade é que também é falível, como se percebeu quando teve uma segunda passagem pelo Benfica, em 1965/66. As águias terminaram o campeonato em segundo lugar, ficaram-se pelos quartos de final da Taça de Portugal, eliminadas pelo Sp. Braga e pelos quartos de final da Taça dos Campeões, depois de uma humilhante derrota por 3-8 com o Manchester United, no conjunto das duas mãos.

5º Giovanni Trapattoni (Juventus)

Entre 1976 e 1986, Giovanni Trapattoni ganhou seis campeonatos italianos, duas Taças de Itália, uma Taça dos Campeões, uma Taça das Taças, uma Taça UEFA, uma Supertaça europeia e uma Taça Intercontinental ao serviço da Juventus.

Acabou por regressar em 1991 e apesar de se ter mantido na “Vechia Signora” durante três anos, não ganhou uma única competição doméstica e o seu único troféu foi uma Taça UEFA.

4º Toni (Benfica)

Toni será sempre um histórico do Benfica e isso nunca será apagado. Afinal de contas, foram 12 anos como jogador, mais seis como treinador-adjunto e três como treinador principal, esta última etapa marcada por dois títulos de campeão nacional e a chegada à final da Taça dos Campeões Europeus de 1987/88.

No entanto, também ficou ligado à terrível temporada de 2000/01, a pior da história do Benfica, tendo “ajudado” ao sexto lugar final no campeonato, embora também José Mourinho tenha passado pelo banco dos encarnados. Ainda começou a temporada seguinte, mas só aguentou até à 16.ª jornada, quando foi substituído pelo seu adjunto, Jesualdo Ferreira. Desde então nunca mais voltou a trabalhar no clube da Luz.

3º Fabio Capello (AC Milan)

No início da época de 1991/92, Fabio Capello assumiu o lugar de treinador do AC Milan e em cinco anos conquistou qualquer coisa como quatro campeonatos e três Supertaças italianas, uma Liga dos Campeões e uma Supertaça europeia.

Esteve depois uma temporada no Real Madrid, em que também foi campeão e logo regressou ao AC Milan, mas desta vez para viver um pesadelo, com a equipa a terminar a Série A num humilhante décimo lugar.

2º Louis Van Gaal (Barcelona)

As duas primeiras épocas de Louis Van Gaal no comando técnico do FC Barcelona (1997/98 e 1998/99) foram de enorme sucesso, tendo conquistado dois campeonatos e uma Supertaça espanholas e ainda uma Supertaça europeia. Na terceira já não ganhou nada e foi despedido.

Em 2002/03 voltou a Camp Nou mas a equipa apresentou um futebol tão ridículo que o habitualmente fleumático público dos “blaugrana” não poupou nos assobios e até nos insultos ao holandês. Ao fim de 19 jornadas foi demitido, quando o FC Barcelona ocupava um vergonhoso 12º lugar na Liga espanhola.

1º Arrigo Sacchi (AC Milan)

O AC Milan orientado por Arrigo Sacchi entre 1987 e 1991 foi uma das melhores equipas da história do futebol, não só pelos títulos conquistados, com destaque para uma Taça dos Campeões, mas principalmente pelo futebol de altíssima qualidade, em que os holandeses Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco Van Basten eram as grandes figuras.

Acabou por regressar aos “rossoneri” em dezembro de 1996, para o lugar de Oscar Tabárez, mas o impensável aconteceu, com o clube a terminar o campeonato em 11º lugar. Acabou por sair no final dessa época.

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Artigo de
André Cruz Martins

25-08-2018



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