Os 10 maiores pontapés-canhão das décadas de 80 e 90 em Portugal

Os 10 maiores pontapés-canhão das décadas de 80 e 90 em Portugal

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Os 10 maiores pontapés-canhão das décadas de 80 e 90 em Portugal

Deixaram a sua marca pelos muitos golos apontados em fortes remates de fora da área, em contraste com o deserto quase absoluto de grandes rematadores que vigora hoje em dia.

Artigo de André Cruz Martins

14-09-2020

Hoje em dia, quando olhamos para o plantel dos maiores clubes portugueses, reparamos que são pouquíssimos os jogadores donos daquilo que na gíria futebolística designamos como “pontapé-canhão”. Um contraste absoluto com as saudosas décadas de 80 e 90. Anos em que houve muitos futebolistas que nos deliciavam com o fortíssimo remate. Fosse na marcação de livres diretos, ou através de disparos sem pedir licença. Aqui ficam dez nomes que marcaram uma era no futebol português e que tantas saudades nos deixaram.

Veja o vídeo:

10. Timofte (FC Porto e Boavista)

Este médio de ataque romeno era classe pura. Chegou ao futebol português em 1991/92, para representar o FC Porto e arrasou nas três temporadas em que serviu os dragões. Apontou um total de 36 golos, alguns deles através de remates de fora da área.

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Timofte apresentava uma particularidade: tinha um pontapé fortíssimo, mas também era exímio em rematar em jeito, através da chamada “folha seca”. Continuou a deslumbrar os adeptos portugueses ao serviço do Boavista, onde marcou 43 golos em seis temporadas. “O meu pé esquerdo era melhor do que o do Hagi”, atirou recentemente, em entrevista ao “Maisfutebol”.

9. Juanico (Rio Ave, Belenenses e Penafiel)

Juanico está na história do Belenenses, pois foi ele o autor do golo decisivo que derrotou o Benfica na final da Taça de Portugal de 1988/89 e que se mantém como o último troféu conquistado pelos azuis do Restelo. Foi com essa “bomba” de fora da área, na marcação de um livre direto, que estabeleceu o 2-1 final provocou a surpresa no Estádio Nacional. O forte pontapé era a imagem de marca deste médio que chegou a ser internacional A, mas apenas por uma vez. Hoje em dia vive em Guimarães, a sua cidade-natal, onde vende cigarros eletrónicos.

8. Paulo Torres (Sporting)

Paulo Torres “apresentou-se” no Campeonato do Mundo de sub-20 de 1991, realizado no nosso país e conquistado por Portugal. O defesa esquerdo foi considerado o terceiro melhor jogador da competição (Emílio Peixe foi o melhor) e chamou a atenção pela forma fantástica como marcava livres diretos. Um estilo que anos mais tarde vimos replicado pelo brasileiro Roberto Carlos, que também participou neste Campeonato do Mundo.

Não construiu a carreira que se adivinhava, mas nos primeiros anos como sénior, ao serviço do Sporting, conservou o dom de marcar grandes golos através de remates potentes de fora da área Em 1995 foi dispensado pelos leões e nunca mais se encontrou.

7. Delfim (Boavista e Sporting)

Os treinadores dos escalões jovens do Amarante, clube onde foi formado, garantem que nunca tinham visto nada assim. Estamos a falar da violência do pontapé de Delfim, que nos juvenis se mudou para o Boavista.

Nunca se conseguiu afirmar verdadeiramente como sénior nos “axadrezados”, o que não impediu o Sporting de o contratar, na temporada de 1998/99. Chegou sem grande alarido, mas foi indiscutível nessa equipa dos leões, comandada por Mirko Jozic e que deixou saudades pelo excelente futebol praticado, apesar do quarto lugar final no campeonato.

Marcou grandes golos de fora da área, mas aquele que elege como o melhor foi obtido diante do V. Guimarães, numa vitória por 3-0. A sua carreira não atingiu maior brilhantismo porque foi afetado por lesões graves.

6. Isaías (Boavista e Benfica)

Este era daqueles que mal vislumbrava algum espaço para visar a baliza do rival não hesitava. Aliás, só não está numa posição mais cimeira neste top-10 porque muitas vezes as “bombas” por si rematadas iam para o quintal do vizinho, passando muito longe das balizas adversárias.

Chegou a Portugal em 1987/88 para o Rio Ave, mas só lá ficou uma temporada, pois tinha futebol para voos muito mais altos. Seguiram-se duas temporadas no Boavista, com um total de 22 golos marcados, até se transferir para o Benfica, onde viveu cinco temporadas de sucesso, tendo apontado 65 golos. E convém recordar que não era avançado, mas sim médio de ataque.

Muitos desses golos foram marcados através de magníficos “petardos” de fora da área e ainda hoje causa perplexidade a sua saída do Benfica no final da temporada de 1994/95, depois de ter realizado uma magnífica temporada, com 15 golos marcados. Foi mais uma das dispensas sem sentido de Artur Jorge, que na altura passou a ser o treinador do Benfica. Viveu recentemente em Portugal, onde trabalhava num restaurante, numa altura em que passava por dificuldades financeiras. Entretanto regressou ao Brasil e não se tem ouvido falar dele.

5. Barroso (Sp. Braga e FC Porto)

O médio defensivo Barroso afirmou-se no futebol português ao serviço do Sp. Braga e até se estreou na Seleção A quando representava os minhotos, o que naqueles tempos ainda era mais difícil do que atualmente (valha a verdade que foi o seu único jogo pela equipa das quinas).

No entanto, Barroso não ficou conhecido por ser um excecional médio. O que ele tinha de fantástico era mesmo o remate de meia distância e foi através dessa “arma” que marcou a maioria dos 62 golos que apontou como profissional ao serviço de clubes.

Acabou por chegar ao FC Porto, onde só esteve duas épocas, regressando ao Sp. Braga. “O outro dia falaram num pontapé livre em que a bola atingiu os 98 km/h. Isso era a velocidade dos meus remates com o pé esquerdo”, atirou em entrevista recente ao “Expresso”, sendo que ele é destro.

4. Branco (FC Porto)

Este fabuloso defesa esquerdo chegou para o FC Porto no verão de 1988 e manteve-se ao serviço dos dragões até meio da temporada de 1990/91. Internacional brasileiro, era um lateral completo, que defendia e atacava com a mesma desenvoltura.

No entanto, o que ficou na memória dos adeptos portistas foi mesmo o seu fortíssimo pontapé, que era especialmente visível na marcação de livres diretos. Em duas épocas e meia, fez 12 golos pelo FC Porto, quase todos através de “bombas” de fora da área.

3. Heitor (V. Guimarães, Nacional e Marítimo)

Cada pontapé livre a menos de 40 metros das balizas adversárias era um lance de potencial perigo quando este lateral brasileiro se aproximava da bola. E o mesmo se passava nos pontapés de canto, que invariavelmente tentava marcar diretamente, fazendo um efeito na bola nunca visto e que nunca mais alguém repetiu.

Poucos se devem recordar de que o V. Guimarães foi o primeiro clube de Heitor em Portugal, tendo cumprido apenas nove partidas nessa temporada de 1986/87. Seguiram-se quatro anos no Nacional e, depois sim, o Marítimo, onde brilhou a grande altura, entre 1991 e 1995, com um número de golos de fazer inveja a alguns avançados: 9 na temporada de estreia. Seguindo-se seis em 1992/93, dez em 1993/94 e um estranho golo solitário em 1994/95, altura em que terminou a carreira. Depois da pólvora ter secado.

2. Sanchéz (Benfica, Estoril e Boavista)

Erwin Sánchez, possivelmente o melhor jogador boliviano de todos os tempos, chegou ao futebol português com apenas 20 anos, para reforçar o Benfica. A sua alcunha era “Platini da Bolívia”. Mas bem mais do que pelas semelhanças com o médio francês, distinguia-se pela violência do seu pontapé.

Perdemos a conta ao número de golos que apontou de fora da área, fosse na conversão de livres diretos ou em lances de bola corrida. Ao longo dos 14 anos em que jogou no nosso país, acertou nas balizas adversárias por 73 ocasiões e foi sem dúvida no Boavista que atingiu o auge da carreira.

1. Geraldão (FC Porto)

Estávamos a 25 de novembro de 1990 e era dia de jogo entre FC Porto e Sporting, nas Antas. Nesse domingo, a manchete do jornal “Record” era a seguinte: Sei como Geraldão marca os livres”. Quem o garantia era Ivkovic, guarda-redes dos leões, dando a entender que o brasileiro não teria qualquer hipótese de lhe marcar um golo através de um lance de bola parada. Ivkovic podia saber como Geraldão marcava os livres, mas isso não fui suficiente para evitar um golão do defesa central, na sequência de um livre direto marcado a uns bons 40 metros da baliza, logo aos 5 minutos de jogo.

Este foi um dos muitos exemplos em que o magnífico pontapé de Geraldão foi decisivo numa vitória do FC Porto. Em quatro temporadas ao serviço dos dragões, Geraldão apontou 23 golos. Só na época de 1990/91 foram 14, embora vários tenham sido de grande penalidade. De referir que durante duas épocas completas o FC Porto dispôs no seu plantel dos “bombardeiros” Geraldão e Branco.

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Artigo de
André Cruz Martins

14-09-2020



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