Os 10 melhores centrais brasileiros que já passaram por Portugal

Os 10 melhores centrais brasileiros que já passaram por Portugal

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Os 10 melhores centrais brasileiros que já passaram por Portugal

Éder Militão é o último exemplo de uma fabulosa dinastia que começou com os míticos Ricardo Gomes e Carlos Mozer, no Benfica.

Artigo de André Cruz Martins

13-06-2019

Éder Militão chegou, viu e venceu. O brasileiro aterrou no Porto em agosto de 2018, onde chegou proveniente do São Paulo, e o central brasileiro assumiu-se logo como titular indiscutível do FC Porto e quase sempre com exibições de alta qualidade.  Ainda a temporada de 2018/2019 não tinha terminado e já o Real Madrid havia garantido a contratação do jovem defesa por cerca de 50 milhões de euros. Éder Militão é o último representante da magnífica escola de centrais brasileiros de alto gabarito que passarem pelo futebol português. Eis as nossas outras nove escolhas, que deixaram de fora outros grandes centrais como Aldair, Ricardo Rocha, Polga e Celso. Os 10 melhores centrais brasileiros que já passaram por Portugal.

David Luiz (Benfica)

Quando em maio de 2007 David Luiz assinou pelo Benfica era um ilustre desconhecido. Proveniente do Esporte Club Vitória, tinha apenas 19 anos e as suas duas primeiras temporadas na Luz foram de aprendizagem, tendo cumprido apenas 27 partidas no total. A partir de 2008/09 assumiu-se como uma das grandes figuras da equipa e um dos preferidos dos adeptos, que se encantaram com o seu estilo vigoroso.

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A sua melhor época foi a de 2009/10 – a primeira de Jorge Jesus no Benfica, coroada com o título de campeão nacional – e em julho de 2010 foi chamado pela primeira vez à seleção brasileira. Em janeiro de 2011 transferiu-se para o Chelsea, por 30 milhões de euros, clube ao qual regressou no verão de 2016 depois de uma passagem de duas épocas pelo Paris Saint-Germain Nas últimas semanas, falou-se no seu desejo em regressar ao Benfica, o que foi desmentido pelo seu empresário, que assegurou que o central deseja continuar no Chelsea.

Luisinho (Sporting)

Os adeptos do Sporting abriram os olhos de espanto quando tomaram conhecimento da sua chegada ao clube, no início da época de 1989/90. É certo que estava quase a fazer 31 anos, mas ainda era dos mais conceituados defesas centrais brasileiros, tendo feito parte da magnífica seleção “canarinha” que deslumbrou no Campeonato do Mundo de 1982.

Luisinho teve o azar de apanhar o Sporting numa fase muito conturbada e apesar de não ter ganho qualquer troféu, espalhou a sua classe ímpar pelos relvados nacionais. A sua experiência e qualidade foram determinantes na excelente campanha do Sporting na Taça UEFA de 1990/91, em que caiu nas meias-finais, aos pés do Inter Milão.

Marco Aurélio (Sporting)

Marco Aurélio cumpriu a formação no Vasco da Gama, uma das melhores escolas do futebol brasileiro, mas entrou no futebol português pela porta do modesto União da Madeira, em 1990/91, com 23 anos. Apesar de alinhar por uma equipa que lutava pela permanência, afirmou-se como um dos melhores centrais do campeonato português durante as quatro temporadas em que representou os madeirenses.

Estes são os 10 melhores centrais brasileiros que já passaram por Portugal

Sem surpresa, mudou-se para o Sporting em 2004/05, onde cumpriu quatro temporadas ao mais alto nível. De leão ao peito, potenciou as suas qualidades, sempre no seu estilo particular: parecia lento, mas era ilusão de ótica e as suas longas pernas e fantástico sentido de colocação permitiam-lhe alcançar bolas que pareciam impossíveis. Em Alvalade, só lhe faltou o título de campeão nacional, mas certamente deixou saudades entre os adeptos que o viram jogar.

Aloísio (FC Porto)

Não é nada comum um jogador chegar ao futebol português proveniente do FC Barcelona. Mas foi isso que sucedeu com Aloísio, no início da época de 1990/91. Como seria de esperar, “pegou de estaca” no centro da defesa portista e cumpriu onze temporadas ao mais alto nível ao serviço dos dragões, sempre como titular indiscutível.

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Normalmente cortava os lances de forma limpa, mas também sabia ser muito duro quando as circunstâncias o exigiam. Ganhou sete campeonatos e seis Taças de Portugal pelos dragões e realizou qualquer coisa como 332 partidas ao serviço do clube português. Só lhe faltou ser mais goleador: só acertou onze vezes nas redes adversárias.

André Cruz (Sporting)

“André Cruz, Cruz, Cruz, larga a bomba”. Era esta a canção que a Juventude Leonina cantava quando o veterano central brasileiro se aproximava da bola para usar o seu fantástico pé esquerdo na cobrança de livres diretos. Pode parecer estranho que a primeira qualidade que associamos a um central seja a marcação de lances de bola parada, mas a verdade é que André Cruz era mesmo exímio neste tipo de lances (não só em livres, mas também em cantos).

André Cruz era classe pura também a defender e apesar de cometer poucas faltas, era muito difícil os avançados contrários passarem por ele Será que o Sporting teria quebrado o jejum de 18 anos sem conquistar o título de campeão nacional se André Cruz não fizesse parte do plantel?

Uma pergunta para a qual nunca se saberá a resposta, mas a verdade é que a sua chegada, em janeiro de 2000 (já com 31 anos de idade) foi decisiva. Três livres diretos da sua autoria foram decisivos na caminhada: um no jogo com o FC Porto, cuja vitória leonina permitiu a ultrapassagem ao rival, a nove jornadas do final, e outros dois na última jornada, em que era preciso uma vitória diante do Salgueiros para não deixar escapar o título.

Luisão (Benfica)

A estreia de Luisão pelo Benfica, no verão de 2004, não deixou propriamente boas indicações aos adeptos encarnados. É certo que marcou um golo no empate a três bolas com o Belenenses (jogo disputado no Estádio Nacional) mas a sua dureza de rins e estilo desengonçado foram notados.

E a verdade é que nos primeiros anos de águia ao peito, não foi um jogador consensual. No entanto, ao longo do tempo, foi conquistando os adeptos e ganhando uma importância enorme não só como “chefe” da defesa, mas também como grande líder de balneário.

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Terminou a carreira com grande surpresa em setembro de 2018, numa decisão que ainda hoje não está muito bem explicada. E deixou-nos números arrasadores: 15 épocas e “mais uns pozinhos” no Benfica, cinco títulos de campeão nacional e um total de 20 troféus conquistados, recorde nos encarnados. E foi o segundo jogador com mais partidas oficiais realizadas pelo Benfica em todas as competições, 538, apenas atrás de Nené, com 578, isto para além de ter sido o atleta que mais vezes envergou a braçadeira de capitão de equipa (414).

Pepe (FC Porto)

Em 2001 passou despercebida a sua chegada ao futebol português, para representar o Marítimo B. Tinha apenas 18 anos e pensava-se que seria apenas mais um dos muitos brasileiros a tentar a sua sorte em Portugal. No entanto, cedo começou a destacar-se e chegou a treinar integrado no plantel do Sporting, acabando por não permanecer em Alvalade. Um erro histórico, viria a provar-se poucos anos mais tarde.

Depois de duas épocas de bom nível como sénior no Marítimo, em 2004/05 chegou ao FC Porto e nessa primeira época a sua afirmação não foi fácil. No entanto, deslumbrou nas duas temporadas seguintes, destacando-se como uma peça essencial no bicampeonato portista.

Sem surpresa, saiu para o Real Madrid no verão de 2007, com os “merengues” a pagarem 30 milhões de euros pelo seu passe, muito dinheiro para a altura, especialmente para um central. Entretanto, aos 35 anos, está de regresso aos dragões e a sua experiência e qualidade ainda poderão ser muito úteis.

Mozer (Benfica)

Carlos Mozer já era um central de créditos firmados quando em 1987, com 27 anos, chegou ao Benfica. Acabou por cumprir apenas duas temporadas nos encarnados, transferindo-se posteriormente para o Marselha, mas em 1992/93 voltou à Luz, para cumprir mais três épocas.

Aquando da sua primeira passagem pelo Benfica, já detinha o estatuto de internacional brasileiro e destacava-se pela forma dura como abordava os lances. Ele próprio reconheceu várias vezes em entrevistas que gostava de intimidar os pontas de lança adversários.

No entanto, não é justo que o excesso de vigor fique para a história como a sua imagem de marca. Isto porque falamos de um dos melhores centrais de marcação da história, muito ágil e exímio cabeceador. Para além das grandes qualidades defensivas, destacava-se na eficácia nos lances de bola parada ofensivos, tendo feito 14 golos nas cinco temporadas de águia ao peito

Ricardo Gomes (Benfica)

Futebolista de classe mundial, já era presença assídua na seleção brasileira quando em 1988 chegou ao Benfica, onde cumpriu três épocas de grande sucesso, tendo sido duas vezes campeão nacional. Em 1988/89 formou dupla de betão com Carlos Mozer, mas enquanto este se destacava pelo vigor com que disputava os lances, Ricardo jogava em “pezinhos de lã”, embora também fosse duro quando era necessário.

Destacava-se pela fantástica capacidade área nos lances ofensivos e pela forma perfeita como cobrava grandes penalidades, tendo feito 22 golos pelas águias nessas três temporadas. E foi o primeiro capitão do Benfica fora de Portugal e das colónias portuguesas.

Acabou por sair para o Paris Saint-Germain mas em 1995/96, com 31 anos, regressaria para cumprir a sua última época como futebolista profissional. Era visível que já não tinha as mesmas capacidades físicas, mas a classe permanecia intacta e fez 37 jogos oficiais, com quatro golos apontados, numa época em que os encarnados conquistaram a Taça de Portugal.

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André Cruz Martins

13-06-2019



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