Dyego Sousa. Da agressão a um árbitro, à nega ao Benfica e o desejo antigo de representar Portugal

Dyego Sousa. Da agressão a um árbitro, à nega ao Benfica e o desejo antigo de representar Portugal

Desporto

Dyego Sousa. Da agressão a um árbitro, à nega ao Benfica e o desejo antigo de representar Portugal

O avançado do Sporting de Braga levou um duro castigo em 2016 por agredir um árbitro assistente, recusou ir para o Benfica e para o Sporting e agora vê concretizado desejo antigo de jogar na Seleção Nacional.

Artigo de André Cruz Martins

15-03-2019

Dyego Sousa tem sido um dos principais rostos do sucesso do Sporting de Braga nesta época e já apontou 14 golos na liga portuguesa, estando a apenas um de igualar Seferovic no topo dos melhores marcadores da prova. Agora, chega à Seleção Nacional, ao ser convocado para os confrontos com a Ucrânia e Sérvia, a 22 e 25 de março, respetivamente, jogos de qualificação para o Euro 2020.

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Dyego Sousa não teve uma infância fácil desde muito cedo que se habituou a trabalhos pesados. “O meu pai sempre foi comerciante. Teve uma loja de calçado e depois passou a vender café. Ele tinha um camião e eu acompanhava-o. Entregávamos café em fábricas e armazéns e adorava fazer isso nas minhas folgas da escola e dos treinos. Depois, ao final da tarde, deixávamos o camião na fábrica e voltávamos a casa de mota”, revelou, em entrevista ao “Maisfutebol”. Mas o sonho do futebol foi mais alto e decidiu experimentar a sua sorte no futebol europeu aos 18 anos.

Vida de saltimbanco por Europa, América e África

A porta de entrada na Europa foi Portugal, no verão de 2006, mais concretamente na ilha da Madeira, nos juniores do Nacional da Madeira. Esteve apenas uma temporada nos “alvinegros”, regressado então ao Brasil, para jogar nos modestos Moto Club e Clube Andraus Brasil. Em 2010/11, com 20 anos, voltou a Portugal, ao assinar pelo Leixões, que na altura disputava a II Liga e na temporada seguinte passou pelo InterClube, de Angola.

A vida de saltimbanco terminou em 2012/13, quando se estabeleceu definitivamente em Portugal, ao serviço do CD Tondela, que na altura estava na II Liga. O seu rendimento deixou a desejar (apenas quatro golos marcados) e na temporada seguinte melhorou ligeiramente, ao apontar sete ao serviço do Portimonense. Em 2014/15 deu o salto para o Marítimo e progressivamente foi ganhando um lugar de destaque na equipa. Em três épocas nos madeirenses, fez 25 golos, marca que está quase a atingir em menos de época e meia no Sp. Braga (faturou por 19 vezes).

Sporting quis contratá-lo

Nos últimos dias do mercado de verão, o seu nome foi falado para o Sporting e em entrevista recente, José Peseiro reconheceu que os leões não tiveram capacidade para ir buscar um jogador ao Sp. Braga, embora não tendo referido o nome do ponta de lança. De acordo com notícias da imprensa desportiva, os minhotos pediram aos leões uma verba na ordem dos 10 milhões de euros.

Foi o próprio Dyego Sousa que revelou o interesse dos leões. “Houve uma abordagem. O Sp. Braga não abdicava do dinheiro pretendido e eu continuei feliz. Sinto-me bem e valorizado. Gosto do clube, da cidade e tenho um carinho especial pelos adeptos. As pessoas apostam em mim e eu não quero dececionar”, vincou, em entrevista ao jornal “ O Jogo”. Recorde-se que o avançado brasileiro foi o “carrasco” do Sporting há algumas semanas, ao marcar o único golo dessa partida, a contar para o campeonato.

E o Benfica também

O outro clube grande de Lisboa também já o tentou contratar sem sucesso, no verão de 2017, revelou o avançado em entrevista ao portal UOL. “O Benfica ligou-me e apresentou-me uma proposta, mas optei pelo Braga. No Benfica teria maior concorrência, com Jonas, Jiménez, Mitroglou [entretanto transferido para o Olympique Marselha], eram muitos jogadores, que espaço teria? Pensei que seria apenas mais um. No Braga sinto-me mais seguro, mais confortável, trata-se de um clube que queria apostar em mim”, sublinhou.

Tem-se em boa conta

De falsa modéstia ninguém pode acusar Dyego Sousa. “Eu e o Paulinho somos os melhores pontas de lança a jogar em Portugal”, defendeu, em entrevista ao jornal “O Jogo”. Na mesma conversa, assumiu o desejo em ser campeão nacional esta época e deu conta de uma exigência do presidente António Salvador. “Quando assinei pelo Braga por quatro anos, ele disse-me que teria de ser campeão até ao fim do contrato. Nós também queremos, eu pelo menos quero ser campeão nacional pelo Braga”. disse.

Queria jogar na Seleção Nacional

Com nacionalidade brasileira e portuguesa, Dyego Sousa assumia há algum tempo o desejo de representar a Seleção das quinas. “É um sonho e gostaria de ajudar, de contribuir para o bem deste país. Torço, vibro pela seleção portuguesa e sinto-me mais português do que brasileiro. Estou cá há dez anos, a minha esposa e a minha filha são portuguesas, temos a nossa vida toda cá. É um sonho representar a Seleção de Portugal, mas não é fácil. Não depende só de mim. Há muita concorrência, talvez o selecionador dê prioridade a quem nasceu em Portugal”, referiu.

A agressão a um árbitro assistente

A 26 de julho de 2016, Dyego Sousa viveu o dia mais negro da sua carreira, num jogo particular entre o Tondela e o Marítimo. Depois de ter sido assinalada uma falta à sua equipa por indicação do árbitro assistente, saiu a grande velocidade do banco de suplentes (já tinha sido substituído) e lançou água de uma garrafa que tinha na mão na direção do assistente, agrediu-o posteriormente com a mão, numa tentativa de soco.

O Conselho de Disciplina suspendeu-o por tempo indeterminado, mas suspendeu o castigo ao fim de três meses e meio, depois do Conselho de Justiça ter aceite o seu recurso. Foi também por esta altura que voltou a poder treinar-se integrado no plantel do Marítimo, pois o seu seguro tinha sido cancelado pela seguradora. Só que em novembro foi conhecida a pena de nove meses de suspensão, acabando o Tribunal Arbitral do Desporto para reduzir o castigo para seis meses.

Esposa e pais “deram-lhe na cabeça”

Dyego Sousa garante que amadureceu e que hoje em dia está muito mais calmo. “Levei na cabeça da minha esposa e dos meus pais Parei para pensar e vi que não tinha razão. Tinha de controlar a minha ansiedade, o meu temperamento. Posso garantir que estou muito melhor. Não digo a 100 por cento, mas estou. Não é fácil desligar a ficha, mas agora respiro fundo e concentro-me no que pede o mister Abel”, realça.

Artigo de
André Cruz Martins

15-03-2019



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