Uma das «grid girls» que vai para o desemprego

Uma das «grid girls» que vai para o desemprego

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Uma das «grid girls» que vai para o desemprego

Fórmula 1 decidiu acabar com as «grid girls» já nesta época. As modelos estão revoltadas e Michelle Westby é um dos rostos da luta contra a decisão.

Artigo de Bruno Seruca

18-02-2018

É quase impossível imaginar a Fórmula 1 sem as famosas «grid girls». Há muitos anos que as modelos são um dos principais destaques dos momentos que antecem as corridas. Tanto que até os pilotos vão ter saudades suas. Tudo porque a organização da Fórmula 1 decidiu acabar com a presença das «grid girls» nas corridas. «Embora a prática de usar ‘grid girls’ tenha sido frequente na Fórmula 1 há décadas, sentimos que esse costume não reflete os valores da nossa marca e está claramente em discordância com as normas da sociedade moderna dos dias de hoje», explicou Sean Bratches, diretor de operações comerciais.

A polémica decisão agrada a uns e provoca revolta a outros. A Women´s Sport Trust, organização que tem por missão aumentar o impacto das mulheres no desporto, foi das primeiras a aplaudir a decisão. Mas existem muitas «grid girls» que não estão contentes com a ida para o desemprego. As «grid girls» são modelos que estão presentes em todas as corridas. E que têm funções como segurar o guarda-chuvas e placas de identificação dos pilotos. Tal como alinharem-se de modo a formar um corredor que os pilotos percorrem até ao pódio. Por norma, estão vestidas com roupas onde se destacam os patrocinadores.

 

«Embora a prática de usar ‘grid girls’ tenha sido frequente na Fórmula 1 há décadas, sentimos que esse costume não reflete os valores da nossa marca»

 

As mais revoltadas com esta decisão são as próprias «grid girls». Como é o caso de Michelle Westby, um dos principais rostos da revolta. «Se não fosse ‘grid girl’, não estaria onde estou hoje, num ambiente predominantemente dominado por homens. E inspirando e influenciando outras mulheres a procurarem o seu espaço. Recebo mensagens o tempo todo a dizer que sou uma inspiração. O que as pessoas não percebem é que conhecemos os produtos e as equipas que estamos a promover, é parte do nosso trabalho também», explica.

Aquela que é uma das mais mediáticas «grid girls» tem também a profissão de duplo de pilotos. Michelle Westby não deixa os críticos sem resposta. Nem mesmo quando o tema são as curtas roupas que vestem. «Cabe a nós nos sentirmos à vontade com eles. Estamos mais vestidas do que adolescentes que vão ao supermercado. É frustrante pensar que muitas meninas perderam a sua fonte de rendimento. Tudo porque feministas pensam que sabem mais do que realmente sabem, quando não tem ideia de como é nosso trabalho», refere.

 

«Se não fosse ‘grid girl’, não estaria onde estou hoje, num ambiente predominantemente dominado por homens»

 

Michelle Westby não é a única a reagir. Também Rebecca Cooper já fez saber que está triste com a decisão. «É ridículo que mulheres que dizem que ‘lutam pelo direito das mulheres’ queiram determinar o que outras devem ou não fazer, impedindo-nos de fazer um trabalho que amamos e do qual nos orgulhamos. O politicamente correto ficou louco», atira.

Esta não é a primeira decisão do género. Em julho ao ano passado passaram a ser proibidas as também famosas mulheres do pódio na Volta a Espanha em ciclismo. No mesmo ano, a organização do Tour Down Under, que se realiza na Austrália, também decidiu deixar de ter modelos femininas no pódio. Na hora de dizer adeus às «grid girls», vê as melhores imagens de Michelle Westby.

Fotos: Reprodução Instagram

Artigo de
Bruno Seruca

18-02-2018



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