O incrível passado de Béla Guttmann

O incrível passado de Béla Guttmann

Desporto

O incrível passado de Béla Guttmann

Conhece a história do sobrevivente do Holocausto que conquistou duas Taças de Campeões Europeus pelo Benfica.

Artigo de Hugo Mesquita

26-02-2018

Béla Guttmann é um nome incontornável do futebol português. É o treinador que conseguiu conquistar duas Ligas dos Campeões pelo Benfica e que terá roubado o jovem Eusébio ao Sporting após uma conversa num barbeiro em que ouviu falar das qualidades excepcionas do jovem moçambicano, então com 19 anos.  O que poucos conhecem é o passado do «primeiro treinador superstar ».

Sabias que Guttmann ((27 de Janeiro 1899 – 28 de Agosto 1981) fez fortuna a vender álcool ilegal nos Estados Unidos, foi professor de dança e sobreviveu ao Holocausto escondido no sótão de um salão de cabeleireiro situado perto de Budapeste, antes de se tornar o lendário treinador da década de 60 do Benfica? Que na II Guerra Mundial, foi enviado para um campo de trabalhos forçados, de onde conseguiu fugir em dezembro de 1944, pouco antes de ser enviado para Auschwitz?

Estas e muitas outras curiosidades sobre o percurso deste fantástico treinador são contadas na mais recente obra de David Bolchover«Béla Guttmann, de Sobrevivente do Holocausto a Glória do Benfica». A obra, editada pela Oficina do Livro, já se encontra disponível nas livrarias.

 

 

David Bolcher é o autor deste livro. Publicou três livros, nomeadamente o «bestseller» O Gestor de 90 Minutos, que explora os vários estilos de gestão dos grandes treinadores de futebol. Colaborou com diversos jornais, entre os quais o The Times, The Telegraph e Financial Times. Trabalhou durante três anos na investigação deste livro. O paraeles esteve à conversa com David:

paraeles – Porque decidiu escrever sobre Béla Guttman?

David Bolchover – Primeiro que tudo, a história de Guttman é incrível. Acredito que qualquer um que comece a procurar saber um pouco mais sobre o treinador não vai conseguir parar. Escrever este livro também me permitiu juntar duas grandes paixões: o futebol e a história judaica.

 

O autor (à drt) com António Simões, treinado por Béla Guttmann na década de 60

 

pe –  O que nos pode contar sobre a famosa maldição que Guttman lançou ao Benfica?

D.B – Alegadamente, ele lançou essa maldição, de que o Benfica não seria capaz de vencer outro título europeu nos próximos 100 anos [«Nem daqui a 100 anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica jamais ganhará uma Taça dos Campeões sem mim…»] Não há provas de que ele tenha dito essas palavras. Mas uma coisa é certa, ele saiu zangado do Benfica em 1962 por não ter recebido um prémio monetário que acreditava lhe ser devido. Ele guardou essa mágoa por vários anos. Ele pode não ter dito essas exatas palavras, mas provavelmente terá dito algo semelhante em algum momento da sua vida.

 

«A carreira de Guttmann durou 40 anos, e ele esteve constantemente a aprender e a adaptar-se»

 

pe – Acredita que Guttmann teria sucesso no futebol atual?

D.B – Sim, muitas das técnicas usadas pela Guttmann são agora seguidas pelos grandes treinadores de hoje. Por exemplo, ele usou as conferências de imprensa para ganhar vantagem para as suas equipas, tirar a pressão de seus jogadores e colocar ideias na cabeça do árbitro sobre o jogo sujo dos adversários. Como os grandes treinadores de hoje, ele acreditava no controlo total do jogo e na disciplina. Ele não aceitava sugestões dos jogadores,  a equipa tinha que colocar em prática as suas ideias. Como estrategista, era inovador e flexível. A sua carreira de treinador durou 40 anos, e ele esteve constantemente a aprender e a adaptar-se. Não demoraria muito para aprender o jogo moderno.

pe – Acha que o passado difícil o ajudou, de certa forma, a torna-se no grande treinador que foi?

D.B. – Sim. As suas equipavas jogavam sem medo, refletindo a atitude do treinador. Depois do que experimentou, o que o poderia assustar? Ele arriscou ao colocar as equipas a jogar um futebol emocionante, de ataque. Para além disso, as suas experiências como judeu significavam que ele não tinha raízes em nenhum país. Ele, portanto, viajou pelo mundo, ganhando várias experiências futebolísticas e encontrando empregos que lhe deram a oportunidade de aprender e ter sucesso a um nível de topo. Ele não estava confinado a um país em particular.

 

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Artigo de
Hugo Mesquita

26-02-2018



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