Gervinho, de “acabado” para o futebol a uma das estrelas da atual liga italiana

Gervinho, de “acabado” para o futebol a uma das estrelas da atual liga italiana

Desporto

Gervinho, de “acabado” para o futebol a uma das estrelas da atual liga italiana

Só cumpriu um total de 11 jogos nos anos civis de 2017 e 2018 ao serviço dos chineses do Hebei China Fortune, mas tem brilhado no Parma e até bisou diante no empate com a Juventu

Artigo de André Cruz Martins

11-02-2019

Gervinho foi dado como praticamente “acabado” para o futebol. Agora, renasceu no Parma, para onde se transferiu no início desta época. Isto depois de dois anos e meio nos chineses do Hebei China Fortune, em que cumpriu apenas 29 jogos oficiais, sendo que nos anos civis de 2017 e 2018 só alinhou em 11 partidas.

O médio ofensivo assumiu-se como titular indiscutível no clube italiano. Tem oito golos marcados no campeonato, sendo o melhor marcador da sua equipa, em igualdade com Roberto Inglese. Gervinho esteve em particular destaque no fabuloso empate “arrancado” em casa da Juventus. Marcou os dois golos que permitiram à sua equipa recuperar de uma desvantagem de 3-1 e estabelecer o 3-3 final.

“As pessoas pensavam que eu estava acabado”

Em entrevista ao “The Guardian” em novembro de 2018, Gervinho já tinha avisado que estava bem vivo. “Toda a gente pensou que eu tinha ido para a China apenas para ganhar dinheiro e para me reformar. As pessoas pensavam que eu estava acabado, mas estavam muito enganadas”.

Apesar da estatística ser bem clara a respeito dos pouquíssimos jogos que realizou nos dois últimos anos ao serviço do Hebei China Fortune, o costa-marfinense não faz um balanço negativo da sua passagem por terras chinesas. “Tive alguns problemas físicos mas nunca me fui abaixo. Lá na China os jogadores têm de estar no auge, é muito mais do que apenas ganhar um grande salário. Cada partida é um desafio e tive a sorte de jogar ao lado de grandes jogadores”, frisou.

Sobre a mudança para o Parma, confessou que bastou um telefonema do diretor desportivo do clube, Daniele Faggiano. “Ele foi muito rápido, pragmático e entusiasmado e apaixonei-me por este projeto imediatamente”, revelou.

Jogava descalço na Costa do Marfim

Gervinho teve uma infância pobre em Abidjan, a sua cidade natal. “Jogava futebol sem sequer ter sapatos nos pés. Na Costa do Marfim é muito difícil ter sapatos normais, então imagine-se chuteiras, que são consideradas um verdadeiro luxo. No ASEC Abidjan, a Academia em que cresci, jogávamos descalços e quando lá voltei há uns anos, joguei sem sapatos ao lado dos miúdos”, confessou.

Curiosamente, jogar descalço tornou-se numa filosofia do ASEC Abidjan, por opção. “Eles dizem aos miúdos que se jogarem descalços aprendem a controlar melhor a bola e que depois, quando tiverem sapatos, será muito mais fácil eles tornarem-se campeões”, refere.

Não se sabe se o facto de ter jogado descalço foi decisivo para Gervinho, que depois do ASEC Abidjan representou o Toumodi FC, clube da Costa do Marfim, antes de se mudar para os belgas do KSK Beveren. Seguiram-se o Le Mans e o Lille, em França, Arsenal, em Inglaterra e Roma, em Itália, até à tal experiência no Hebei China Fortune.

“Detesto o Arsenal por causa de Wenger”

Gervinho cumpriu 63 jogos nas duas épocas em que representou o Arsenal (2011 e 2012) e não ficou com saudades de uma pessoa em particular, como confessou quando já era jogador da Roma. “Chorei no dia em que assinei pelo Arsenal, pois adorava o clube. Mas agora detesto o Arsenal por culpa de Arsène Wenger, que nunca teve confiança em mim. O treinador da Roma, Rudi Garcia, não faz distinção entre os que jogam e os outros, pois o plantel tem 25 jogadores e não apenas 11”, realçou.

Ainda assim, diz que deixou o Arsenal cedo demais. “Arrependi-me de deixar o clube depois de tão pouco tempo sem poder mostrar meu valor, algo que felizmente consegui fazer na Roma”, destacou. Ao serviço dos “giallorrossi” cumpriu 88 encontros em duas temporadas e meia, com 26 golos apontados.

Falhou “contrabando” de uma mulher

Gervinho tem colecionado algumas polémicas fora do campo. Em novembro de 2014, quando quis transportar uma mulher num voo privado, numa viagem entre a Costa do Marfim e a Itália. A Roma providenciou um jato particular para o jogador regressar mais rapidamente de um jogo da sua seleção. Tudo corria de feição para Gervinho e para a acompanhante, depois do futebolista ter consigo subornar quatro membros do staff que trabalhava no aeroporto. A mulher entrou no avião, mas foi detetada pelo piloto, que se recusou a transportá-la. Apesar da ilegalidade que cometeu, não foi conhecida nenhuma punição judicial para o internacional pela Costa do Marfim.

15 meses de pena suspensa

Em 2010, quando representava o Lille, foi condenado a 15 meses de prisão (com pena suspensa) e multado em 20 mil euros. Foi apanhado várias vezes pela polícia a conduzir sem carta. Isto depois do tribunal ter sido informado de que Gervinho, na altura com 23 anos, atingira um jovem motociclista depois de ignorar um sinal vermelho. A vítima sofreu ferimentos numa mão e afirmou que o jogador se recusou a tratar do assunto através do seguro e que tentou comprar o seu silêncio.

Pediu praia privada e helicóptero

A história mais excêntrica a envolver Gervinho aconteceu no verão de 2015. Estava em negociações para representar o Al Jazira. Exigiu uma praia privada, um helicóptero e várias passagens aéreas entre os Emirados Árabes Unidos e países europeus. O jogador já tinha acordo com o Al Jazira por quatro temporadas, mas estas exigências de última hora deitaram o negócio por terra. “Foram pedidos obscenos”, reagiu o clube, justificando o rompimento das negociações.

Artigo de
André Cruz Martins

11-02-2019



RELACIONADOS