Cristiano Ronaldo nunca viveu uma rivalidade como esta

Cristiano Ronaldo nunca viveu uma rivalidade como esta

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Cristiano Ronaldo nunca viveu uma rivalidade como esta

Cristiano Ronaldo vai viver pela primeira vez este sábado a intensa rivalidade que existe entre Juventus e Nápoles. Um ódio que vai além das quatro linhas e que tem raízes profundas nas duas cidades.

Artigo de André Cruz Martins

28-09-2018

Cristiano Ronaldo viveu o seu primeiro grande clássico em Itália  quando a Juventus recebeu o SSC Nápoles, em jogo da sétima jornada da Série A. Apesar de não serem clubes da mesma região, e de haver uma diferença enorme no historial de ambos, com superioridade da “vechia signora”, esta é sem dúvida uma das maiores rivalidades do futebol transalpino.

Foi a partir da década de 80 do século passado que a relação entre estes dois grandes emblemas ficou mais quente, a partir do momento em que o SSC Nápoles ganhou maior dimensão, com a chegada de Diego Maradona e a conquista dos seus únicos dois títulos de campeão italiano.

Guerra norte-sul e diferenças de poder económico

O ódio que os adeptos destes dois clubes sentem uns pelos outros tem uma primeira explicação óbvia: a guerra norte-sul, um pouco à semelhança do que se passa em Portugal entre os adeptos do Benfica e do FC Porto, embora em menor escala na realidade lusa.

A Juventus representa o norte de Itália, uma região abastada e industrial, com poder económico. Já o SSC Nápoles é o representante do sul, bastante mais pobre e que tem a fama de ter as ruas pouco limpas. Por outro lado, ao longo da história, a Juventus sempre teve orçamentos bem superiores aos do rival, possibilitando-lhe construir melhores plantéis, a que não tem sido alheio o grande apoio financeiro do Grupo FIAT. A família Agnelli, dona da Juventus, tem uma participação significativa na marca automóvel (29 por cento).

A adepta mais fiel do Nápoles

Se é verdade que ao longo das últimas décadas a Juventus roubou algumas das maiores figuras ao Nápoles, o amor fiel de Marika Fruscio (veja fotos dela na galeria no final do artigo) pelo clube napolitano ninguém consegue roubar. A modelo e apresentadora italiana é a adepta mais famosa do emblema do sul de Itália e por mais do que uma ocasião já mostrou o seu amor à camisola publicamente. Além disso, gosta de picar os jogadores, seja os que usam a camisola azul, ou por vezes rivais. Por enquanto, ainda não se meteu com Ronaldo. Para a história fica este vídeo, quando participou num programa televisivo desportivo e o seu corpo deu nas vistas.

Insultos racistas

É no entanto óbvio que o ódio que os adeptos do SSC Nápoles sentem pela Juventus é superior ao que os “tifosi” da “Vechia Signora” sentem pelo rival, algo que terá a ver com o facto da “Juve” ser um clube de maior dimensão e com um palmarés incomparavelmente superior: 34 campeonatos, 13 Taças de Itália e dez títulos internacionais, contra dois campeonatos, cinco Taças de Itália e um título internacional. De resto, a superioridade da Juventus nos confrontos com o SSC Nápoles é gritante:78 vitórias, 52 empates e 37 derrotas.

Ainda assim, os “tifosi” da Juventus também não gostam mesmo nada dos rivais do sul de Itália, como se comprova pelo cântico que volta e meia ecoa no Allianz Stadium: “Que cheiro a merda, até os cães fogem quando chegam os napolitanos. Oh, vítimas de cólera e de terremotos, você são uns porcos que nunca tomam banho”.

Roubo de figuras históricas

Ao longo da história, a Juventus “roubou” grandes futebolistas e até treinadores ao SSC Nápoles. O primeiro grande exemplo foi o avançado brasileiro José Altafini, que em 1972/73 se mudou para o rival e foi apelidado de “cuore ‘ingrato'” (“coração ingrato”). O último caso mais paradigmático foi o de Gonzalo Higuáin, no verão de 2016. O clima ficou tão agreste que desde então, os adeptos de ambos os clubes estão proibidos de assistir ao clássico no campo do rival.

Todos os olhos em Cristiano Ronaldo

Neste início de época, todas as atenções no campeonato italiano têm estado centradas em Cristiano Ronaldo. E como não poderia deixar de ser, o SSC Nápoles já teceu considerações pouco abonatórias a respeito do avançado português, nomeadamente através do seu presidente, Aurelio De Laurentiis. “Cristiano já tem alguma idade e para o equilíbrio de um clube é perigoso gastar tanto dinheiro em apenas um jogador que está em final de carreira. Vamos ver se a Juventus vai ter mais sucesso comercial ou desportivo, mas quando se começa a pagar salários absurdos, mais cedo ou mais tarde isso vai voltar-se contra ti”, afirmou.

Exemplos práticos que mostram o ódio dos napolitanos em relação à “Juve”

Corrupção comprovada

Uma das razões para o ódio dos adeptos do SSC Nápoles face à Juventus está no facto da “vechia signora” ser alegadamente protegida pelas arbitragens em Itália. E aparentemente, têm razão nas queixas, pelo menos em determinado período da história. Recorde-se que os “bianconeri” foram punidos com a descida de divisão em julho de 2006, no processo judicial conhecido como “calciocaos” e no qual ficou provado que corromperam árbitros.

Sarri não resistiu e mostrou o dedo do meio

Um dos exemplos de alegados insultos racistas de adeptos da Juventus em relação aos rivais do SSC Nápoles ocorreu em abril de 2018, quando o autocarro da formação do sul de Itália chegou ao Allianz Stadium . De tal forma que Maurizzio Sarri, na altura treinador dos napolitanos, não resistiu e mostrou o dedo do meio na direção da pequena multidão.

“O que fiz foi responder a um grupo de pessoas que cuspiram para cima do autocarro e nos insultaram por sermos napolitanos. Nunca teria feito um gesto semelhante para alguém só por se tratar de um adepto da Juventus”, explicou Sarri.

O cântico xenófobo

O complexo de superioridade que de acordo com os adeptos do SSC Nápoles existe da parte dos “tifosi” da Juventus é bem visível no seguinte cântico que por vezes ocoa no Allianz Stadium: Que cheiro a merda, até os cães fogem quando chegam os napolitanos. Oh, vítimas de cólera e de terremotos, você são uns porcos que nunca tomam banho”.

A ajuda do Grupo FIAT

A Juventus sempre foi um clube com grande poder financeiro e isso foi reforçado com o apoio que lhe é prestado pelo Grupo FIAT, que há largos anos é o seu principal patrocinador. A família Agnelli, dona da Juventus, tem uma participação significativa na marca automóvel (29 por cento) e o patrocinador injeta no clube cerca de 25 milhões de euros por temporada.

O “roubo” de figuras do SSC Nápoles

José Altafini

Foi considerado pelos adeptos do SSC Nápoles como o primeiro a trair o clube ao assinar pela Juventus. Depois de ter feito 97 golos em 234 jogos pelo SSC Nápoles entre 1965 e 1972, mudou-se para a “vechia signora”. Altafini justificou-se afirmando que a mudança ocorreu porque o seu contrato terminou e o SSC Nápoles não revelou interesse na renovação, mas os “tifosi” napolitanos nunca o perdoaram.

Dino Zoff

O mítico guarda-redes saiu do SSC Nápoles para a Juventus em 1972 e na altura a grande razão avançada para a mudança foi o seu desejo em chegar à seleção italiana, que em teoria passaria a estar mais facilitado. E a verdade é que mal passou a ser da Juventus ganhou o lugar de titular indiscutível na “squadra azzurra”.

Ciro Ferrara

Ciro Ferrara saiu do SSC Nápoles para a Juventus em 1994, numa altura em que era o grande símbolo e capitão do clube do sul de Itália. Os adeptos napolitanos não perdoaram e em vários jogos dessa época exibiram uma tarja que dizia “Napolitano? Apenas mercenário”.

Marcelo Lippi

Em 1994, o treinador Marcello Lippi acompanhou Ciro Ferrara na mudança de Nápoles para Turim. Os adeptos napolitanos reagiram com tal violência que, rezam as crónicas, Lippi, que adorava Nápoles, só voltou à cidade quando as equipas que representou lá jogaram.

Gonzalo Higuáin

O último traidor para os adeptos do Nápoles foi Gonzalo Higuaín. O ponta de lança argentino rumou à Juventus no verão de 2016 por 90 milhões de euros, o que na altura fez dele o terceiro jogador mais caro da história, apenas atrás de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale. Como seria de supor, os “tifosi” napolitanos reagiram com grande fúria e até fizeram rolos de papel higiénico com a figura do futebolista. A tensão entre os dois clubes ficou de tal forma ao rubro que desde então os adeptos do Nápoles estão proibidos de assistir ao clássico no campo do rival.

Percorra a galeria e veja mais fotos de Marika Fruscio.

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Artigo de
André Cruz Martins

28-09-2018



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