Na liga portuguesa, os ataques estão a golear as defesas

Na liga portuguesa, os ataques estão a golear as defesas

Desporto

Na liga portuguesa, os ataques estão a golear as defesas

Os três melhores ataques do campeonato somam um total de 218 golos (média de 2,43 por jogo), o que constitui o melhor registo do século XXI.

Os três melhores ataques do campeonato português estão a marcar a um ritmo nunca visto no século XXI. Após 30 jornadas, Benfica, FC Porto e Sp. Braga marcaram um total de 218 golos, o que dá uma média de 73 por equipa, ou seja, 2,43 golos por jogo.

Ainda melhor do que na temporada 2015/16, quando no final das 34 rondas – ou seja, com mais quatro jornadas do que o somatório do atual campeonato – Benfica (88 golos), Sporting (79) e FC Porto (67) apontaram um total de 234 golos (média de 78 por equipa, ou seja, 2,29 golos por jogo).

O Benfica tem o melhor ataque da atual I Liga, com 75 golos (média de 2,5 por partida). Melhor por parte dos encarnados neste século só mesmo na já referida temporada de 2015/16, na primeira época de Rui Vitória, quando a equipa marcou por 88 vezes em 34 encontros.

Esta época e para não fugir à regra, Jonas é o melhor marcador dos encarnados no campeonato e até apresenta a melhor média de golos da sua carreira, com 33 golos em 28 partidas. O segundo melhor marcador das águias na competição, Salvio, está a larga distância do brasileiro, com sete golos.
Considerando uma goleada como um resultado por três ou mais golos de diferença, verifica-se que as águias conseguiram-no em sete ocasiões nesta I Liga. O seu resultado mais volumoso foi alcançado diante do V. Setúbal, na Luz (6-0).

Os 73 golos em 30 jornadas por parte do FC Porto são o melhor registo dos azuis e brancos neste século, em igualdade com o ocorrido em 2010/11, na fantástica época em que conquistaram campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa, sob o comando técnico de André Villas Boas. Esse campeonato tinha apenas 16 equipas e por isso terminou na 30ª jornada.

Os dragões alcançaram dez vitórias por três ou mais golos de diferença

No entanto e apesar da recuperação da liderança na prova depois da vitória na Luz, os dragões tiveram uma quebra acentuada nas últimas cinco rondas, nas quais marcaram cinco golos, ou seja, média de um por encontro. Nas 25 rondas iniciais, os portistas faturaram por 68 vezes, média de 2,72 por jogo.
Marega, com 20 golos, é o melhor marcador do FC Porto na I Liga, seguido de Aboubakar, com 15.

Os dragões conseguiram alcançar dez vitórias por três ou mais golos de diferença, mas a última vez que o lograram foi há seis jornadas. O 6-1 ao Paços de Ferreira, o 5-0 ao Rio Ave (ambos no Dragão) e o 5-0 em Setúbal foram os resultado mais dilatados dos dragões.

Se Benfica e FC Porto têm sido, regra geral, os melhores ataques da I Liga neste século (com esporádicas intromissões do Sporting), esta época existe um freguês pouco habitual nestas contas, com o Sp. Braga a ultrapassar o Sporting e a surgir como a terceira formação mais concretizadora. Os 70 golos que já apontou em 30 jornadas “pulverizam” o seu recorde de golos marcados em toda a história dos campeonatos nacionais (60 em 30 partidas, estabelecido por José Peseiro em 2012/13).

O Sporting de Braga tem uma média de 4,4 golos por partida

Nas últimas cinco deslocações, a equipa de Abel Ferreira marcou qualquer coisa como 22 golos, ou seja, uma média de 4,4 golos por partida. Os 36 golos em 15 encontros fora de casa tornam a equipa de Abel Ferreira a mais concretizadora como forasteira. E tal como o Benfica, conseguiram por sete vezes triunfos por três ou mais golos de diferença, quatro deles nos últimos seis encontros. E o Estoril foi o melhor freguês da equipa de Abel Ferreira, ao sofrer duas goleadas por 6-0.

Curiosamente, os “guerreiros” não contam com um goleador que se destaque de forma nítida, mas Paulinho, Ricardo Horta, Wilson Eduardo e Dyego Sousa apontaram 36 dos 70 golos. Ricardo Horta é o melhor marcador da equipa na I Liga, com 11 golos. De resto, esta é a segunda melhor época do clube de sempre em termos pontuais, só superada pela de 2009/10, quando Domingos Paciência fez 71 pontos em 30 jornadas (mais três do que a atual formação, no mesmo número de rondas).

Sporting de Jesus menos goleador do que é normal

Uma última referência para o Sporting, o quarto melhor ataque deste campeonato, com 59 golos e com Bas Dost como melhor marcador, com 25 golos. Os números até são razoáveis, mas como se percebe a equipa de Jorge Jesus está longe dos registos de Benfica, FC Porto e Sp. Braga. E mesmo muito afastada do seu melhor ataque do século, quando alcançou 79 golos em 34 jornadas, na primeira temporada de Jorge Jesus em Alvalade.

O que quererão dizer estes números? Uma maior qualidade ofensiva das principais equipas do futebol português, ou, principalmente, um desequilíbrio cada vez maior entre os grandes e os pequenos emblemas? Talvez esta última hipótese seja mais verosímil, olhando para a produção ofensiva das equipas portuguesas esta época nas competições europeias.

O Benfica marcou um golo em seis jogos da Liga dos Campeões, o pior registo entre os 32 participantes na fase de grupos; o Sporting fez oito golos em seis encontros da Champions e dez em seis partidas da Liga Europa, enquanto o Sp. Braga conseguiu 18 golos em 12 encontros da Liga Europa. Só mesmo o FC Porto teve um registo digno de nota, ao anotar 15 golos em oito partidas da Champions.

Artigo de
André Cruz Martins

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