Noite das mulheres de negro nos Globos de Ouro

Noite das mulheres de negro nos Globos de Ouro

Culto

Noite das mulheres de negro nos Globos de Ouro

As mulheres foram as grandes protagonistas da 75.ª edição dos Globos de Ouro. Oprah protagonizou o momento da noite com discurso emocionado.

Uma noite diferente em Beverly Hills. A 75.ª edição dos Globos de Ouro prometia ser diferente por ser a primeira após o escândalo de assédio sexual em Hollywood. Unidos, nomeados e convidados, vestiram-se de preto em forma de apoio por todas mulheres que, no último ano, quebraram o silêncio para denunciar o lado mais negro da indústria do entretenimento norte-americano. E foram precisamente as mulheres as grandes protagonistas da cerimónia no hotel Beverly Hilton.

A maioria das produções vencedoras têm mulheres como protagonistas. « Big Little Lies», série com mais nomeações, foi a grande vencedora da noite, arrecadando os Globos de Ouro nas categorias de  Melhor Mini-Série, Melhor Atriz numa mini-série, Melhor Ator Secundário e Melhor Atriz Secundária, 4 prémios no total. Mas não se ficou por aqui. «The Handmaid’s Tale» e «The Marvelous Mrs. Maisel», séries com mulheres nos principais papéis, levaram dois Globos cada uma.

 

O domínio feminino não se ficou pela televisão, também no cinema as mulheres foram as grandes vencedoras. «Três Cartazes à Beira da Estrada», filme que estreia em Portugal esta semana, foi o filme mais bem sucedido, com três estatuetas: Melhor ator secundário, Melhor Guião e Melhor atriz, Frances McDormand, a protagonista da longa metragem.

«O tempo deles chegou ao fim»

O momento da noite foi protagonizado também por uma mulher, a apelidada por todos como a ‘mais poderosa do mundo’: Oprah Winfrey. A apresentadora foi a vencedora do prémio carreira Cecil B. DeMille, a primeira negra a receber esta distinção. «Um exemplo a seguir para mulheres e jovens, além de uma das mulheres mais influentes da atualidade» foi assim que a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsáveis pelas nomeações, justificou o galardão a Oprah.

O discurso da apresentadora teve o condão de levantar toda uma plateia. Oprah falou abertamente sobre o escândalo sexual de Hollywood, num discurso apontado aos «homens poderoso e brutais»: «O tempo deles chegou ao fim».

«Quero que todas as meninas saibam neste momento que um novo dia está no horizonte.  Quando esse novo dia finalmente amanhecer, vai ser por causa de inúmeras mulheres magníficas, muitas delas presentes esta noite, e por causa de alguns homens fenomenais que lutam duramente para ter a certeza de que vão tornar-se nos líderes que nos vão levar a um tempo em que ninguém mais tenha que dizer ‘Me too’ [‘Eu também’] outra vez», fechou assim o discurso a um auditório rendido às suas palavras encorajadoras.

 

Nem tudo foi tão negro

Rose McGowan foi uma das alegadas vítimas de assédio sexual que denunciou o escândalo. Apesar disso, mostrou-se contra a ideia de usar preto na passadeira vermelha dos Globos como forma de protesto contra o assédio sexual em Hollywood. « Nenhuma dessas pessoas elegantes que usam o preto para ‘honrar’ as nossas violações teriam levantado um dedo se não fosse assim. Não tenho tempo para as ‘fachadas’ de Hollywood», escreveu Rose num tweet, em resposta à também atriz Asia Argento que tinha afirmado que ninguém se deveria esquecer que Rose foi a primeira a quebrar o silêncio.

Na gala, três mulheres deixaram o protesto de lado. As atrizes Meher Tetna e Blanca Blanco, e a modelo alemã Barbara Meier não se apresentaram de preto na Gala dos Globos de Ouro. Blanca não referiu o motivo por não ter seguido o dress code. Barbara justificou o modelito no Intagram: «Não devemos ter de usar preto para sermos levadas a sério. As americanas devem brilhar, ter cor e brilhar. Tal como faz parte da nossa natureza. Na minha opinião, isso simboliza a nossa liberdade e a nossa nova força». Já Meher Tetna, presidente da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (organização da gala) mostrou apoio ao movimento mas não vestiu de negro devido a questões culturais. Na cultura indiana, apenas as mulheres viúvas devem usar preto na sua indumentária.

 

Meher Tetna, presidente da organização, não vestiu de negro mas declarou o seu apoio ao movimento.

 

Vê na galeria alguns dos melhores looks da passadeira vermelha dos Globos de Ouro

 

Lista de vencedores da noite:

Cinema

Melhor drama: “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Melhor comédia/musical: “Lady Bird”

Melhor ator de drama: Gary Oldman (“Darkest Hour”)

Melhor atriz de drama: Frances McDormand (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”)

Melhor ator de comédia/musical: James Franco (“Um desastre de artista”)

Melhor atriz de comédia/musical: Saoirse Roan (“Lady Bird”)

Melhor ator secundário: Sam Rockwell (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”)

Melhor atriz secundária: Allison Janney (“I, Tonya”)

Melhor realizador: Guillermo del Toro (“The Shape of Water”)

Melhor argumento: Martin McDonagh (“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”)

Melhor banda Sonora original: Alexandre Desplat (“The Shape of Water”)

Melhor canção original: “This is Me”, de Benj Pasek e Justin Paul (“O grande showman”)

Melhor filme de animação: “Coco”, de Lee Unkrich e Adrian Molina.

Melhor filme estrangeiro: “In The Fade”, de Fatih Akin (Alemanha/França)

Televisão:

Melhor série dramática: “The Handmaid`s Tale”

Melhor série de comédia/musical: “The Marvelous Mrs. Maisel”

Melhor minissérie: “Big Little Lies”

Melhor ator de série dramática: Sterling K. Brown (“This is Us”)

Melhor atriz de série dramática: Elisabeth Moss (“The Handmaid`s Tale”)

Melhor atriz de comédia/musical: Rachel Brosnahan (“The Marvelous Mrs. Maisel”)

Melhor ator de comédia/musical: Aziz Ansari (“Master of None”)

Melho atriz de minissérie: Nicole Kidman (“Big Little Lies”)

Melhor ator de minissérie: Ewan McGregor (“Fargo”)

Melhor ator secundário de série televisiva: Alexander Skarsgård (“Big Little Lies”)

Melhor atriz secundária de série televisiva: Laura Dern (“Big Little Lies”)

Prémio Carreira Cecil B. DeMille: Oprah Winfrey

 

Fotos: Reuters
Artigo de
Hugo Mesquita

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