Gato Fedorento de regresso, mas só na arrecadação

Gato Fedorento de regresso, mas só na arrecadação

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Gato Fedorento de regresso, mas só na arrecadação

Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis dão nova vida aos Gato Fedorento longe da televisão.

É preciso recuar até 2015 para encontrar a última aparição dos Gato Fedorento na televisão nacional. Foi nesse ano que estreou «Isso é Tudo Muito Bonito, Mas», um programa diário de humor em que Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela e Miguel entrevistavam diversos convidados. O formato foi exibido na TVI e para que os Gato Fedorento estivessem completos só faltava Tiago Dores. E para encontrar o último programa com o grupo completo é necessário viajar até 2009, ano em que foi para o ar «Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios», um programa em tudo semelhante ao já referido, só que emitido na SIC. Aqueles que se destacaram como os humoristas de maior sucesso em Portugal ao longo dos últimos anos passaram ainda pela RTP com «Diz que É uma Espécie de Magazine».

 

Os Gato Fedorento vão apostar num canal de YouTube.

 

Para alegria dos fãs, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis anunciaram o regresso para breve. Mas longe do pequeno ecrã. O grupo de humoristas decidiu render-se às apostas recentes de muitos outros humoristas, recorrendo ao YouTube para o próximo passo da carreira. «Vamos ter um canal. Não é bem um canal, é uma arrecadação no YouTube, onde vamos despejar as coisas que já fizemos», disse Ricardo Araújo Pereira durante os Thumb Media Play Awards. «Vamos juntar num canal de YouTube todos os sketchs que fizemos ao longo dos anos, que é para ser mais fácil», acrescenta José Diogo Quintela. Os Gato Fedorento rendem-se assim à plataforma onde ainda hoje muitos fãs procuram alguns dos mais famosos sketches do grupo. Como é o caso deste.

 

 

Formados em 2003, os antigos argumentistas das Produções Fictícias começaram por se destacar com rubricas em programas como «O Perfeito Anormal», ainda que apenas Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela dessem a cara. O sucesso foi imediato e acabaram desafiados a criar um programa independente na SIC Radical. Desde então o sucesso nunca mais parou de crescer. Multiplicando-se em livros, DVD’s e espetáculos ao vivo. Sem esquecer a passagem pela RTP, novamente pela SIC e TVI. Até que decidiram fazer uma pausa. Continuando a ser vistos numa campanha publicitária que rendeu muito dinheiro aos cinco amigos.

 

A vida longe da televisão ao longo dos últimos anos.

 

Os Gato Fedorento conseguiram manter-se sempre no topo, nunca caindo no esquecimento do público. Algo que também nunca os assustou. Como Ricardo Araújo Pereira confessou numa antiga entrevista à Focus. «Ninguém pergunta ao Pavarotti se tem medo de deixar de saber cantar nem ninguém perguntava ao Picasso se tinha medo de deixar de saber pintar. As pessoas tendem a achar que o humor é uma coisa mística que vem diretamente do Senhor e que não é algo que se trabalha mas sim um dom com que se nasce e que se pode perder».

Foi também abordada a possibilidade de dar continuidade ao grupo caso um dos elementos decidisse abandonar os Gato Fedorento. «Se fosse eu era muito complicado para eles», brincava José Diogo Quintela. «Se fosse eu a abandonar esperava que eles continuassem para o público perceber que sou eu que faço a diferença», acrescentava Tiago Dores. «Não estou a ver isso acontecer», respondia, num tom mais sério Miguel Góis.

Ao longo dos últimos anos foi Ricardo Araújo Pereira quem manteve uma exposição mediática mais acentuada. Com passagens pela Rádio Comercial e também em programas televisivos como «Governo Sombra». Sem esquecer os livros que editou ou a participação em programas humorísticos no Brasil. Por sua vez, José Diogo Quintela apostou num negócio diferente. O humorista é um dos fundadores da Padaria Portuguesa. Mais curiosa foi a aposta de Tiago Dores. Amante de ténis, o humorista participou em torneios amadores. O mais discreto do grupo sempre foi Miguel Góis. De quem pouco ou nada se sabe em relação à vida longe do pequeno ecrã.

Foto: Impala

Artigo de
Bruno Seruca

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